Artroplastia do Ombro


 
 

O que é a prótese de ombro?

A artroplastia ou prótese do ombro é uma cirurgia para o tratamento da artrose do ombro. A artrose é o desgaste da cartilagem, que pode gerar dor intensa e limitação dos movimentos do ombro. > Leia mais sobre a artrose do ombro...

 
Artrose de ombro.jpeg
 

A artroplastia do ombro consiste da substituição da superfície de cartilagem lesada, criando novas superfícies deslizantes e indolores. O objetivo desse procedimento é o alívio da dor e a melhora do movimento do ombro. A cirurgia é indicada nos casos graves de artrose, que não apresentaram melhora com o tratamento conservador prolongado. Os resultados da cirurgia de prótese de ombro melhoraram muito nas últimas décadas, principalmente pelo avanço tecnológico dos implantes, pelo maior conhecimento da anatomia e função do ombro e pela melhora da técnica cirúrgica. Hoje é possível o paciente obter uma movimentação funcional do ombro sem dor através desse tratamento.

Quais os tipos de prótese de ombro?

Existem diferentes tipos e técnicas para a prótese de ombro, que variam de acordo com o tipo e gravidade da artrose.

  1. Artroplastia parcial. Apenas a superfície do úmero é substituída;
  2. Artroplastia total anatômica. A superfície do úmero e da glenoide são substuídas;
  3. Artroplastia total reversa. Para casos com com artrose associada a lesões dos tendões do manguito rotador. > Leia mais sobre a artropatia do manguito rotador...

Existem variações quanto ao modelo das hastes do úmero, que podem ser com hastes curtas ou sem haste. Cada modelo apresenta suas vantagens e desvantagens e deve ser orientada pelo ortopedista especialista em ombro.

Protese_de_ombro_tipos_de_haste.jpg

Como é a cirurgia para a artroplastia / prótese de ombro?

Os vídeos abaixo exemplificam a técnica cirúrgica para a artroplastia de ombro total anatômica e reversa.

Artroplastia total anatômica

Artroplastia total reversa

Função do ombro após a artroplastia

Houve um avanço muito significativo nos resultados pós-operatórios da prótese de ombro. O objetivo da cirurgia é permitir que o ombro permaneça indolor, com melhora do movimento e da função do ombro. Estudos demonstram um grande potencial de melhora da função e dor, com uma função esperada entre 70 a 80% de um ombro normal (Kiet et al.). Os vídeos abaixo mostram alguns exemplos da função após a artroplastia.

Complicações e riscos

O ortopedista especialista em ombro deverá orientar sobre os principais riscos dessa cirurgia, que deve ser individualizado. Estudos atuais mostram uma alta taxa de sobrevida da prótese (sua durabilidade), conforme demonstrado no gráfico abaixo, do estudo de Rasmussen et al.

 
Sobrevida da prótese de ombro.jpeg
 

Na prótese total anatômica, a sobrevida acumulada da prótese em 10 anos chega a 0,94 (máximo de 1) (Fox et al.). Em uma avaliação de 2340 artroplastias totais anatômicas, o estudo de Rasmussen et al. demonstrou uma taxa de revisão por soltura da prótese da glenóide de 0,5% e uma taxa de infecção de 1%. Outro estudo (Bohsali et al.) demonstra que a taxa de algum tipo de complicação pode chegar a 10,3%, incluindo soltura e desgaste da prótese, problemas com os tendões do manguito rotador, além de problemas clínicos ou funcionais após a cirurgia.

A artroplastia do ombro é uma das cirurgias mais realizadas na Europa e nos EUA, com resultados satisfatórios e confiáveis para a função e qualidade de vida dos pacientes.

Procure um ortopedista especialista em ombro e cotovelo para sua orientação, análise da necessidade da cirurgia e para a discussão sobre outras opções de tratamento.

Referências

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  • Boileau P, Moineau G, Morin-Salvo N, Avidor C, Godeneche A, Levigne C, et al. Metal-backed glenoid implant with polyethylene insert is not a viable long-term therapeutic option. J Shoulder Elbow Surg 2015;24:1534e43, https://doi.org/10.1016/j.jse.2015.02.012.
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  • Singh JA, Sperling JW, Cofield RH. Revision surgery following total shoulder arthroplasty: analysis of 2588 shoulders over three decades (1976 to 2008). J Bone Joint Surg Br 2011;93: 1513e7, https://doi.org/10.1302/0301-620X.93B11.26938.

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